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| (imagem by Sarolta Bán*) |
Poesia,
Vou marcar meu corpo com as tuas cores,
Com as tuas letras, as tuas dores,
E tudo o que se fizer em mim será verso,
Ainda que avesso, ainda que reverso.
Tudo será a pele tatuada e quente onde repousas.
Serei inteira ao teu dispor.
E serão teus os meus olhos, e as estrelas que eles guardam,
E será tua a minha mão, a tatear pássaros azuis pelo escuro do caminho,
E a minha boca só dirá palavra tua, sempre nua, sempre em
cio.
Ah, Poesia!
E meu corpo, diante de ti, haverá de ser um manto,
Que vestirá tuas vontades, tuas demências, tuas urgências.
Não hei de arder pelo que é brando,
Só por ti consumirei a minha carne, a minha alma,
Até que tudo seja cinza pela tua chama,
Até que tudo em mim seja parido em teu nome.
E eu não serei voz, nem silêncio,
De ti, serei apenas verbo, verso nascido do teu ventre,
Poesia.


