[Alguns trechos de mim...porque as palavras são espelhos...]

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Devoção

(imagem by Sarolta Bán*)


Poesia,
Vou marcar meu corpo com as tuas cores,
Com as tuas letras, as tuas dores,
E tudo o que se fizer em mim será verso,
Ainda que avesso, ainda que reverso.

Tudo será a pele tatuada e quente onde repousas.
Serei inteira ao teu dispor.
E serão teus os meus olhos, e as estrelas que eles guardam,
E será tua a minha mão, a tatear pássaros azuis pelo escuro do caminho,
E a minha boca só dirá palavra tua, sempre nua, sempre em cio.

Ah, Poesia!
E meu corpo, diante de ti, haverá de ser um manto,
Que vestirá tuas vontades, tuas demências, tuas urgências.

Não hei de arder pelo que é brando,
Só por ti consumirei a minha carne, a minha alma,
Até que tudo seja cinza pela tua chama,
Até que tudo em mim seja parido em teu nome.

E eu não serei voz, nem silêncio,
De ti, serei apenas verbo, verso nascido do teu ventre,
Poesia.



[Andrea de Godoy Neto]



(*Sarolta Bán é uma fotógrafa húngara que tem trabalhos belíssimos. para conferir mais: http://www.saroltaban.com/)

16 comentários:

  1. LINDO,ANDREA QUE DESPOJAMENTO,VC SE DA DE CORPO E ALMA MUITO LINDO,NÃO DA VONTADE DE PARAR DE LER,BJS
    GAGAU

    ResponderExcluir
  2. Cada vez mais fico impressionado com as tuas poesias. Eu chego achar que és uma das melhores do Brasil.

    ResponderExcluir
  3. [na escrita há presságio, há espanto, há mistério desvendando letra a letra o mundo fugaz; escrevia a Poeta Ana Hatherly, e com que alma, que "a escrita é um polvo, um molusco versátil. Tem infinitos recursos. Escapa sempre. Abstractiza-se. Disfarça-se, adensa-se, adelgaça-se, esconde-se. Impele-se rápida. Compreende tudo: ascese, consolo íntimo, entrega; fluxos, refluxos, invasões, esvaziamentos, obstinação feroz. O seu rigor é místico. (...) A escrita é um fragmento do espanto, já alguém o disse."

    E nunca é demais dizer: acomoda na pele, em cada poro que o corpo respira, essa centelha de letra e universo, que te habitando nos habitará, também, mais e mais... incondicionalmente!

    Como esse imenso,
    Abraço Imenso, Andrea

    Leonardo B.

    ResponderExcluir
  4. Aplaudo, Andrea, com convicção!
    Entretanto vou ler outra vez, embriagar-me de novo.

    Beijo :)

    ResponderExcluir
  5. Uau!Pensei em destacar um ou outro verso, mas seria por demais injusto: o poema está todo ele belíssimo. Entrega plena à palavra poética. Lindo!

    beijo.

    ResponderExcluir
  6. Mãos tateando pássaros azuis pelo escuro do caminho...Déa...ai, ai!!! Estás mesmo numa fase excelente, eu te leio aprendendo a falar a linguagem dos sonhos!
    Beijos,

    ResponderExcluir
  7. Poesia e Poeta fundidas em um só verbo, um só delírio, numa entrega absoluta!
    AVE POESIA!!!

    beijo grande, Andrea

    ResponderExcluir
  8. o verbo é esse imenso que nos consome,


    beijo

    ResponderExcluir
  9. ANDREA!

    Que esse verbo que vestes, nos premie sempre com belos poemas como este.

    Beijos

    Mirze

    ResponderExcluir
  10. O culto solitário na entrega de si próprio ao divino, a poesia
    Amém!
    Bj imenso, Andrea

    ResponderExcluir
  11. "de ti
    serei apenas verbo, verso nascido de teu ventre"

    a maternidade é a essência das coisas, sem pontos, algumas linhas e nenhuma vulnerabilidade. é que as palavras imitam a boca e a boca só envelhece na contemplação dos batimentos do peito.

    beijos e poemas, querida andrea!

    ResponderExcluir
  12. Divina devoção !
    fazer da poesia um anseio vital ...

    Um beijo ,querida !

    ResponderExcluir

As palavras são espelhos. Para cada um que olha há uma nova face.
Obrigada por mostrar-me a tua!

Sê sempre bem-vindo!



*Por favor, se utilizar a opção de postagem 'anônima', não siga ao pé da letra, deixe seu nome. obrigada!