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| (Pintura: A primavera, de Botticelli) |
Eu não sei de onde vêm as primaveras...
Sei que antes delas tudo é frio e úmido
Como se habitássemos uma caverna de gelo,
Não sei como as flores nascem sobre campos estéreis
Ou como os pássaros desenregelam as asas,
Mas há tantas coisas que não sei...
Não sei fazer nó de marinheiro
Nem porque os cães uivam à noite,
Não sei como as tartarugas sabem para onde voltar
Nem como árvores se enraízam entre pedras,
Não sei que força conduz nossos caminhos
Nem sei por que, às vezes, sentimos o que não sabemos,
Não sei o nome do meu vizinho de baixo
Nem o número do meu telefone novo,
Não sei fazer sagu [e eu gosto de sagu]
Nem sei falar alemão,
Não sei cantar, só no chuveiro
Nem sei dança de salão,
Não sei como meus gatos sempre adivinham quando eu acordo
Nem sei que força determina os presentes que a vida me dá,
Não sei por que uma porta se fecha alheia a nossa vontade
Nem por que varandas se abrem onde menos esperamos,
Não sei o segredo da coca-cola
Nem o que dá aquele gosto ao hambúrguer do mcdonald’s,
Afinal, há tantas coisas que não sei...
Mas de tudo que não sei,
Uma coisa me entristece:
Eu não sei de onde vêm as primaveras.
[Andrea de Godoy Neto]

Profundo ao extremo, Andrea!
ResponderExcluirVivemos apenas e de quase nada sabemos. Estou com você.
Beijos
Mirze
Tantas as coisas que não sabemos e outras tantas
ResponderExcluirque pensamos saber, não é Andrea?
De uma coisa eu sei muito bem:
teus poemas sempre ajudam-me a refletir sobre
algo que não havia pensado.
beijosss
As primaveras nascem de dentro da terra que pode ser a que voce pisa ou a que existe dentro de teu coração... Cabe a cada um, tratar essa terra, torna-la fértil, ou nao.
ResponderExcluirBeijos,
Suzana/LILY
Seja de onde for, será sempre bem-vinda :)
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