[Alguns trechos de mim...porque as palavras são espelhos...]

domingo, 4 de setembro de 2011

Poema do acrobata sem chão

(Artista: Marcantonio* - Monotipia s/ título)



Tenho andado tão ausente dos dias que me percorrem
Que já nem sei que fio sustenta meus pés
Ás vezes me vejo acrobata, cabeça para baixo
Num trapézio de balanço bêbado
Não há tristeza, nem desatino
Não há rede de segurança, nada me prende
Não caio nem enfeito saltos
O mundo de pernas para o ar me apetece
Mas a força da gravidade não me puxa ao chão
Seguro-me, não por medo de cair
Mas, feito balão de gás, se me soltar eu voo
E, se seguro a corda bamba de um trapézio solto
É porque ainda insisto em aguardar teu salto
Na ânsia de ter meus braços esticados
Entrelaçados aos teus
Mas, por que não vejo?
Há tempos
Balanço meus braços em vão.

[Andrea de Godoy Neto]


* Marcantonio é artista plástico e poeta de primeira. Para conferir seus poemas: Diário Extrovertido e O Azul Temporário, outros trabalhos em artes plásticas: Cadernos de Arte

8 comentários:

  1. Andrea acrobata, solte-se e voe! Teus poemas se casam bem com a arte do Marcantonio. E o mundo de pernas pro ar também me apetece.
    Beijos,

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  2. O verso que a Tania destacou bateu forte aqui também: o mundo de pernas pro ar me apetece!Tão bonito!
    Bjão, Andrea!!!

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  3. Tão lindo, Andréa!

    Gosto mais dos contras que dos prós. Um mundo ao contrário é no momento o que precisamos.

    Beijos

    Mirze

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  4. Haja acrobacia para flutuar sem perder o chão nessa vida! Haja talento bonito como o seu!
    Beijos :)

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  5. Vivo uma fase parecida, tentando me equilibrar no delicado fio das lembranças...

    Um beijo, gostei muito.

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  6. Linda sua forma de expressar sentimentos. parabéns! Bjs.

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  7. Acrobata parece ser aquele que renova tentativas de permanecer aéreo e se decepciona de tornar ao chão que suspeita não ser o seu território real. Ensaia-se pássaro continuamente. Empoleirando-se no trapézio solto das visões incomuns, inverte a gravidade diária da vida, tal qual o poeta. A ambos apetece ver o mundo de pernas pro ar.

    Obrigado Andrea pelas palavras carinhosas. É bom vê-la ativa no blog novamente!

    Um beijo.

    Ps.: Ah, acabo de ver de outra forma essa imagem. Coisas de que a poesia é capaz.

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  8. Poetas são mesmo seres aéreos. Há algo de pássaro em nós.

    Gostei do seu blog e também da sua visita.

    bjs

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