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| (O Abismo da Alma (ou O Iceberg)- óleo s/ tela de Guilherme de Faria) |
andar ambíguo de quem mal sai do lugar
O mundo me estranha e eu a ele
- num cúmplice desajuste -
Desambientada ao raso que me cerca,
assola-me uma urgência por profundeza e amplidão
(onde estão? onde estou?)
Olho o chão, não há pertencimento
(e como poderia se não o reconheço
e nem ele a mim?)
firmeza estranha, só terra compactada e pedra
Pedra, pedra e poeira
- não sei se de estrela ou de gente -
dos pés gastos em descaminhos
dos olhos secos de esperas
Às vezes, me consome uma angústia
por tudo aquilo que ainda não vi
não me espelho nos rostos à minha volta
E, Deus! A superficialidade dos dizeres me sufoca
- a opacidade dos olhares me desconcerta -
Busco o ar e, estou certa,
ele é denso de partículas dos tempos
fragmentos das memórias coletivas
Sou peregrina numa terra sem resgate,
junto partes do que sinto
para compor uma aquarela
- há tintas que se avivam em água e sal -
As cores que pinto não traçam caminhos
mas abrem janelas, espaços entre mundos diversos
e neles me perco, andarilha entre becos,
seguindo a própria voz
E no silêncio em que me reconheço,
ainda busco um ponto - ou um universo inteiro -
que me sirva de regaço
onde possa repousar,
ainda que por um instante,
minha alma viandante de abismos.
[Andrea de Godoy Neto]

Aprecio muito te ler porque vou me reconhecendo em cada verso. Já te disse isso, mas não faz mal repetir, né? É sempre bom nos identificarmos com poetas.
ResponderExcluirBeijo, flor.
No desassossego do poeta, a ideia de um ponto que sirva de regaço é âncora fundamental...
ResponderExcluirBelo e profundo, Andrea!
Beijo :)
Tenha certeza, que entre os olhares opacos que nos cercam a luz do teu abre caminhos de sensibilidade e reconhecimento.
ResponderExcluirSaudades de vc.
Beijokas.
Belíssimo!
ResponderExcluirTeu abismo nos pertence.
Beijos
Mirze
A forma mais legítima de silêncio é aquela do estratégico autorecolhimento... Quando nos recolhemos, conseguimos a proeza de falar sozinhos... Esses são os melhores papos... Por que é só nessas horas que conseguimos ouvir tudo o que precisávamos saber!
ResponderExcluirBelo poema Andrea!
ResponderExcluirAs mais belas flores, florescem junto dos abismos!...
Beijos meus!
AL
Um Doce poema...
ResponderExcluirbjs Insana
O remanso de tua pequena parada...
ResponderExcluirBom te ler!
Linda poesia, aplausos!
ResponderExcluirGostaria de convidá-la a fazer parte deste projeto que engloba escritores e poetas da blogosfera.
Não deixe de visitar o link abaixo, pois gostaria imensamente de ler uma de suas poesias por lá.
http://wwwmeandyou-meandyou.blogspot.com/
abraço carioca
E será que eu sou um desses peregrinos que mal sabem dos próprios abismos?
ResponderExcluirSerá que eu sou um desses meninos arrebatados por ilusórios impressionismos?
E por quanto tempo ainda vou fazer perguntas sem resposta?
Quanto mais eu vou achar tudo isso uma bosta?
Queres saber?
Não me perguntes!
Desaprendi explicar!