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| (Artista: Ivan Koulakov - Pintura:Red Road) |
Tu sabes, não sabes?
Eu sei que tudo o que imagino é engano
As certezas se perderam no lume de uma vela pálida
Tudo o que me sustenta hoje são as dúvidas
E, para cada uma delas, não quero respostas
Quero antes a fragilidade exposta
A ferida sem casca, olho aberto para receber o dia
A cada dia em que o novo vem
Tu sabes, não sabes?
De todo o resto que já fui eu
Não sei se tenho saudades
Nunca cultuei invólucros passados
Prefiro observar o que sobra quando as camadas se vão
A nudez que desvenda a face,
O calor da pele livre da ilusão
Ou o arrepio (frio) do vento onde se desfaz a esperança
Tu sabes, não sabes?
Apesar da aridez do caminho que se traça entre destinos
No fundo, o pouco que sei e o todo que não sei
Se desfazem feito pó em grão
Quando se rompe a tranca e se abre a porta
E tu jorras sobre mim sem anteparo
Como água que corre a preencher um vão
Feito represa que se impõe em inundação.
Mas, disso, tu sabes. Não sabes?
[Andrea de Godoy Neto]

Este é pra pasmar... Tô ca mão na cara igual ocê na foto! Hehe.
ResponderExcluirexercício de sabedoria,
ResponderExcluirbeijo
EXCELENTE!
ResponderExcluirComo pó em grão [maravilhoso]
Parabéns, Andréa!
Beijos
Mirze
Seu texto tem um quê de saber tudo subentendido.
ResponderExcluirMuito belo!
Beijo.
Que saudade desse furacão que passa por aqui quando leio teus versos! Bjos, Déia!
ResponderExcluirAndrea, sim, é bem melhor a ferida exposta...e o teu poema...precisa de respostas? Acho que não, pois tu as tem. Belo, menina! andava com saudades de te ler.
ResponderExcluirBeijos
Também tenho dúvidas. São tantas que posso subir nelas e ver o mundo lá do topo... Mas nem lá do alto acho determinadas respostas... Desço e resolvo apagar as perguntas. Como eu fazia nos tempos de colégio em que resolvia o problema da caligrafia descuidada com uma ou duas investidas da minha borracha. O risco do lápis sumia. E eu podia tentar fazer de novo. Bem feito!
ResponderExcluirobrigado pelo "poemaço"...
ResponderExcluirMe fogem as palavras, mas sobra admiração... Bjs.
ResponderExcluirAndrea querida,
ResponderExcluiré mesmo bom que esse "Tu" saiba mesmo :)))
beijo com saudade e saiu daqui encantada como você trabalhou a(s) dúvida(s).
doce andrea,
ResponderExcluiro inevitável sol, o sol-quente-verão, há-de soprar a humidade do corpo no que sobra da inundação. ainda assim, mesmo que já com novas escamas e poros renascidos, a marca-d'-água, como nos livros, nunca mais se apaga. e ainda bem!
beijinho, amiga!
O que me chegou aqui foi um sabor bem pessoal teu, mas também um certo sabor a Cecília Meireles... Ah, ser poeta, às vezes, é mergulhar na incerteza, não?
ResponderExcluirAbraços grandes!
Cara Andréia, prezada.
ResponderExcluirBom te ler, te ver e te sentir perguntando!
Muito bom, mesmo!
Um bom abraço, não sabes?
na folhagem do céu
ResponderExcluir“ un lenguaje que corte el resuello “ –
octávi(d)o paz em seu “ blanco “
- transblanco de haroldo -
conduz à meditação:
uma lâmina desventra
- úmida de aço -
a crença
de que relâmpagos
d
e
s
c
e
m
seguidos de tambores -
o trovão
murmúrio de fonte
desarranja os céus ?!
por ali um odisseu
suscitaria o silêncio:
“ a invenção do corpo “
o olhar invertebrado
sob um céu
cercado de arcanos
uma chuva de crisântemos
por todos os lados
reticulam a pálpebra
de um fundo amarelo
de topázio pálido
a vida é perversa -
indecifrável
a vida
in(di)visível
uma linguagem
que corte o fôlego
- o orvalho do desfolhado olho -
secá-las - as folhas -
e pisá-las sob os pés
e ouvir o ruído de uma fogueira
( arder as palavras solitárias )
" la hora es transparente ":
a vida é invisível
desnuda constelação
de temporais de vidro...
www.escarceunario.blogspot.com
www.setecetaras.blogspot.com
Fiz magia com todas as cores que tinha
ResponderExcluirFiz aparecer na tela um tocador
Pintei-lhe um violoncelo a preceito
Mas ele não sabia tocar uma música de amor…
O amor nunca acontece sem amor
Esta coisa do amor será fantasia?
Será uma noite vestida de nostalgia?
Será planta envergonhada que floresce ao fim do dia?
Seja o que for, tem o nome de amor
Acho bem que seja assim
Há quem diga que se enraíza para sempre
E floresce como planta de alecrim
Terno beijo