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| (Artista: Marcantonio - Pintura: Cerbero - da série: Melancolia) |
Eu amanso meu silêncio
como quem doma uma fera inquieta,
não posso permitir que me devore,
Acalmo suas vozes
[algazarras insolentes
como se estivesse a ninar um filho querido
afago suas cabeças, cada qual uma sentença
para que seus dentes afiados me esqueçam,
Canto cantigas de roda
para que os pensamentos
[fantasmas de todos os tempos
se aquietem e permitam que eu saia,
Me liberto, embora não ilesa
desta insana luta travada
no silêncio das minhas próprias trevas
[a pele dilacerada pelas presas
com dentes famintos de sol
rasgando as palavras prenhes
em versos, ainda que eles sejam tristes.
[Andrea de Godoy Neto]
*Quero agradecer imensamente ao amigo, artista plástico e poeta Marcantonio, do blog Diário Extrovertido, por me permitir a utilizaçãode uma de suas obras.
Imagem retirada do blog Cadernos de Arte

Andrea,
ResponderExcluirMimar o desassossego, eis uma bela forma de adoçar os dias...
Beijo :)
[uma luta permanente, um braço de ferro entre silêncios e palavras que nos tomam e nos inquietam]
ResponderExcluirum imenso abraço, Andrea
Leonardo B.
Esplêndido!
ResponderExcluirhá uma densidade lírica
de apertar o coração
e agitar asas
...
beijo carinhoso.
Belíssimo, Andrea!
ResponderExcluirDeve ser difícil acalentar silêncios, mas não impossível!
Beijos
Mirze
Ah, Andrea, às vezes o silêncio é uma fera prestes a nos devorar, outras vezes um gato manso de pêlos macios. E o seu poema é, pra mim, um cantinho íntimo onde esses dois seres buscam se encontrar. Uma maravilha de texto!
ResponderExcluirBeijos,
Minha cara Andrea, por muitas vezes tais vozes que assolam incansavelmente nossas cabeças, são nossos arrependimentos tentando sair; mas saiba que isso é normal e sem esses fantasmas não teríamos belos poemas como este.
ResponderExcluirAdorei o blog e adorei os textos!
Quando tiver um tempo, dê uma passada no “Que letra é”, pois ficaria muito honrado pela sua visita. Se gostar, siga-nos!
http://queletra.blogspot.com/
Parabéns pelo trabalho e estou te seguindo!
Atenciosamente. Adriano MB.
incessante esta peleja, não há que esmorecer
ResponderExcluirbeijo
E o meu Cerbero tão quieto, quase vira-latas diante da força vital do seu poema!
ResponderExcluirTransformar o silêncio num cão de três cabeças, cada uma com sua sentença, como que postado à porta do reino das palavras, da confluência entre elas e as emoções que lhes correspondem é um achado vigoroso, Andréa. É, o silêncio é inercial, pode nos devorar pelas beiras. É preciso negociar com ele. Cerbero não permitia a saída, o retorno,e impedia a entrada dos vivos. A presença dele no seu poema sugere que a saída da palavra é como um renascimento para o mundo do que estava velado pelo inconsciente. Ou não?
Bem, eu que tenho a agracecer.
Beijo.
Ai, vc é das minhas, rs, adoooro essa sua forma de escrever. E ótima escolha de tela!
ResponderExcluirBeijo.
As palavras tem o poder de tornar eterno aquilo que o tempo nos entrega nos segundos....
ResponderExcluirAssim, mesmo que nem sempre presente me palavras, saibas que escolhi por eternizar em mim tudo aquilo que aprendi com voce alem das palavras....
Palavras, tao bem usadas e interpretadas por ti, que em mim ecoam e me fazem pensar.....
Palavras, apenas palavras que hj uso de forma tao simples para lhe expressar algo tao importante....
Ainda ti amo e espero continuar pelo todo sempre
Coisa linda amansar o silêncio!!! Muito linda mesmo! Coisa rara, imagem rara, talento raro.
ResponderExcluirbjs.
Dentro do silêncio selvagem
ResponderExcluirLindo blog
É no silêncio das próprias trevas que se pode ouvir a melodia dos pensamentos e depois definir, se bons ou não... Se são simplesmente tristes, ou podem fazer algo valer a pena numa dessas próximas manhãs de sol.
ResponderExcluirainda que tristes versos, Andrea, ainda assim tem o teu sorriso, certo que meio espinhoso nessa tristeza, mas duma moldura de fartos alegretes em se obter o que de melhor pode trazer uma ou meia dúzia de lágrimas...
ResponderExcluirtua melancolia sorri à que a lê...um chorar de rir às avessas e aos lirismos mil...
e, ah,
ResponderExcluirestou na campanha do além, buscando visitadas opiniões aqui no nichosdamortaquasemenoria.blogspot.com , onde vitrines tentam indenizar ensejos amortalhados, onde morte é como coisa vivida em finalmente arder, arder até vir a crer...enfim, me honraria muito a tua sorrida aparição por lá! Beijos vivos!
Gosto da música que você é capaz de compor ao tocar seu silêncio. Domada a fera, o milagre da harmonia; o mistério da beleza que vibra na tristeza!... Sua poética reflexão é belíssima, Andrea!
ResponderExcluirBjs, querida. E inté!
Andrea das mariposas!
ResponderExcluirAndo sumido, mas como boa assombração, às vezes faço um booo! (rs...)
Belo poema. Fala um pouco por mim, e você deve saber, já que me descreveu de forma impar pelo que escrevo! Bom voltar aqui.
Beijo grande,
Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com
Que saudades estava de caminhar pelo seu olhar.
ResponderExcluirGrande Beijo Andrea!
Belo texto...Espectacular....
ResponderExcluirCumprimentos
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÁs vezes o silêncio é rebelde. É preciso amansá-lo com uma cantiga de roda ou um poema...
ResponderExcluirGostei muito do poema.
Um beijo.
Agora entendo por que é tão complicado ficar em completo silêncio. Por que é como domar uma fera inquieta, agressiva; faminta que está a espreita!
ResponderExcluirFera inquieta aprenda que quem grita perde terreno.
ResponderExcluirbjs
Insana
E como o medo dessas feras nos paralisa!
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