[Alguns trechos de mim...porque as palavras são espelhos...]


(imagem by luong-duong)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dá-me tua mão - (reeditado)



(imagem da internet)


Neste exato momento em que estou
Ocupo um lugar que não sei onde é
Não há sol nem estrelas a me guiar

Então, dá-me tua mão
Pois não sei onde posso pisar
Não enxergo nem teto nem chão

Neste exato momento em que estou
Percebo um imenso vazio
Não sei se fora ou dentro de mim

Então, dá-me tua mão
Mostra-me que há no mundo alguma segurança
Mesmo que breve, mesmo que impermanente

Neste exato momento em que estou
Nem meu pranto corre livre
Contenho-o e num soluço emudeço

Então, dá-me tua mão
Porque tudo a minha volta é silêncio e nuvem
E não quero perder-me sem ao menos saber
Que tentei enlaçar minha mão à tua

Ainda que por um instante
Ainda que não me segures
Ainda que seja por um momento
Antes que eu volte a ser só

Dá-me tua mão, apenas isso!
Mas dá-me agora
Antes que não me possas mais alcançar


[Andrea de Godoy Neto]



[ * porque, hoje, sou a mais perdida das pessoas...]

15 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. lembraste o poema do Ricardo Reis (Pessoa),

    "Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
    Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
    Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
    (Enlacemos as mãos.)"



    beijo

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  4. Excelente reedição, Andrea.

    É sobretudo nas mãos e no olhar que melhor nos dizemos.

    Abraço

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  5. A tentativa de entrelaçar dedos é tão cúmplice, genuína e bela!

    Beijo.

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  6. Mãos dadas: há tanto nesse gesto tão simples.
    Embora por breves instantes, aceita as minhas?

    Beijo :)

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  7. As mãos
    Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
    Com mãos tudo se faz e se desfaz.
    Com mãos se faz o poema – e são de terra.
    Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

    Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
    Não são de pedras estas casas mas
    de mãos. E estão no fruto e na palavra
    as mãos que são o canto e são as armas.

    E cravam-se no Tempo como farpas
    as mãos que vês nas coisas transformadas.
    Folhas que vão no vento: verdes harpas.

    De mãos é cada flor cada cidade.
    Ninguém pode vencer estas espadas:
    nas tuas mãos começa a liberdade.

    manuel alegre

    um beijinho, querida amiga!

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  8. Vim também dar-lhe a mão :)
    Conheci agora o seu espaço e suas poesias são lindíssimas!

    Vou seguir mas de momento não consigo concluir o processo. Voltarei.

    beijinho!

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  9. Estava com saudade de ler seus versos...

    abraços e lhe aguardo no Rembrandt

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  10. Por um instante que seja.
    Muito bonito, Andrea.
    bj.

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  11. Andrea.
    Bom te ler.
    Bom te ler.
    MUITO BOM TE LER...

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  12. Andrea... A foto e os versos me fizeram pensar em como as vezes desejamos desesperadamente uma última caminhada ao lado de alguém, por alguma razão, por algum motivo válido, para deixarmos juntos mais algumas pisadas em alguma praia deserta e bonita dentro de nós mesmos!

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  13. Andrea,
    mesmo com um oceano no meio, se não te chegar uma mão só , tens aqui as minhas duas.
    beijo.

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  14. Não sei ser poeta, mas tenho coração rendido a ação plena, de ver quão maravilhoso é e sempre será, as linhas de que sabe criar, pois suas atitudes realmente me transporta do agora para o infinito lindo iluminado de minhas mais linda lembranças.

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