Era assim, o pardal que pousava na minha janela...
Na primeira vez em que veio, até levei um susto de tão inusitada visita. Depois ele teimava em voltar, pousava na minha janela, a despeito dos olhares gulosos que os gatos lançavam sobre ele. Vinha assim, não todo o dia, vinha quando sua vontade deixava. Pousava no beiral da janela, espanava as asas, fazia uma graça...
O pardal, sem noção do perigo, começou a vir sempre mais seguido. Comecei a me encantar por ele e, nos dias em que não vinha, já percebia meus olhos a buscá-lo.
Um dia, resolvi dar-lhe comida, assim, sem muita confiança. Depositei algumas migalhas sobre o beiral onde pousava. O pardal veio, fez sua graça e comeu. Voltou mais vezes e, quando lá estavam as migalhas, ele as comia. Já estava me afeiçoando ao pardal, me acostumando mesmo a ele. Já nos entendíamos pelos movimentos.
Um dia, depois de comer, o pardal bateu asas, partiu e não voltou. Até esperei por ele alguns dias, mas nada. Não tornou a aparecer.
Vai ver, ele cansou das migalhas. Vai ver, encontrou por aí janela com pensão completa. Ou vai ver, então, virou comida de algum gato mais guloso e menos preguiçoso do que os meus. Não, isso não! Deus me livre! O pardal era esperto, ligeiro, não se deixaria abocanhar.
Prefiro mesmo pensar que ele resolveu ir visitar outros prédios.
[Andrea de Godoy Neto]
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
domingo, 27 de dezembro de 2009
Que seja Novo...
Encerra-se 2009. E, que ano! Desconheço quem tenha passado por ele de forma morna ou mais ou menos. Todos com quem converso, tiveram em suas vidas algum acontecimento muito marcante, ou revelador, ou transformador. Eu, por minha vez, os tive todos. Neste ano, tenho certeza, morri e renasci. Renasci outra, com nova pele, mais aprimorada, melhor lapidada. Minhas asas agora são maiores e mais fortes, mas também mais delicadas.
Ao longo deste ano vi tantas coisas ruírem, mas vi também novos alicerces sendo criados, em cima dos quais se edificará o verdadeiro, o legítimo, o novo.
Olhando para trás, vejo que desejei a cada ano que iniciava, respectivamente, Movimento, Ousadia, Revelação e Amor. Olho para a frente e tento sentir qual o meu desejo para este novo ano e percebo que o meu desejo é exatamente este: NOVIDADE!
Desejo inícios, transformações profundas, novas direções; desejo a edificação do novo, a abertura de estradas que, até então, pareciam inexistentes. Desejo também paz, saúde, amor, sabedoria, equilíbrio, mas acima de tudo, desejo que cada um possa estar no seu devido lugar. Naquele lugar que o nosso coração sabe exatamente onde é, em movimento, mas no rumo certo para nossas vidas.
Que a novidade não esteja apenas em grandes conquistas e mudanças, mas no olhar novo lançado sobre cada pequena coisa que nos cerca. Porque é na simplicidade das pequenas coisas que a vida habita em todo o seu explendor.
Então, meu desejo é esse, pelo Novo! Que encerre-se o ciclo do que já passou. Que o novo início encaixe cada coisas em seu lugar apropriado. Que tudo o que não mais nos cabe, fique pelo caminho, agora ainda, até que o ano finde. Que o início seja sobre terreno novo, com chão mais firme e horizontes mais amplos. Que novos também sejam os sentimentos que possamos ter em relação a nós, aos outros, a vida.
Que sejamos novas pessoas, o que muitas vezes representa ser apenas nós mesmos, sem tanta roupagem, sem tantas máscaras, sem tantas cordas amarradas, sem tantos nós a nos prender.
Que 2010 seja um bom início, Novo! E, como quem tem a sua frente uma tela em branco, que tracemos caminhos mais coloridos, com mais sonhos, com mais amor, com mais verdade, com felicidade.
É isso, que 2010 seja de Novidades e muita, muita Felicidade!
[Andrea de Godoy Neto]
Ao longo deste ano vi tantas coisas ruírem, mas vi também novos alicerces sendo criados, em cima dos quais se edificará o verdadeiro, o legítimo, o novo.
Olhando para trás, vejo que desejei a cada ano que iniciava, respectivamente, Movimento, Ousadia, Revelação e Amor. Olho para a frente e tento sentir qual o meu desejo para este novo ano e percebo que o meu desejo é exatamente este: NOVIDADE!
Desejo inícios, transformações profundas, novas direções; desejo a edificação do novo, a abertura de estradas que, até então, pareciam inexistentes. Desejo também paz, saúde, amor, sabedoria, equilíbrio, mas acima de tudo, desejo que cada um possa estar no seu devido lugar. Naquele lugar que o nosso coração sabe exatamente onde é, em movimento, mas no rumo certo para nossas vidas.
Que a novidade não esteja apenas em grandes conquistas e mudanças, mas no olhar novo lançado sobre cada pequena coisa que nos cerca. Porque é na simplicidade das pequenas coisas que a vida habita em todo o seu explendor.
Então, meu desejo é esse, pelo Novo! Que encerre-se o ciclo do que já passou. Que o novo início encaixe cada coisas em seu lugar apropriado. Que tudo o que não mais nos cabe, fique pelo caminho, agora ainda, até que o ano finde. Que o início seja sobre terreno novo, com chão mais firme e horizontes mais amplos. Que novos também sejam os sentimentos que possamos ter em relação a nós, aos outros, a vida.
Que sejamos novas pessoas, o que muitas vezes representa ser apenas nós mesmos, sem tanta roupagem, sem tantas máscaras, sem tantas cordas amarradas, sem tantos nós a nos prender.
Que 2010 seja um bom início, Novo! E, como quem tem a sua frente uma tela em branco, que tracemos caminhos mais coloridos, com mais sonhos, com mais amor, com mais verdade, com felicidade.
É isso, que 2010 seja de Novidades e muita, muita Felicidade!
[Andrea de Godoy Neto]
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Homem, o que és...
Hoje, Homem, és nada além de um sonho,
um sopro solto no ar,
o vento por entre as nuvens,
a brisa que vem do mar.
Hoje, és nada além de um ponto,
um conto por entre os mundos,
um grito perdido nos céus.
Nada vês que não seja tu mesmo,
nada sabes que não seja de ti,
procuras Deus num trono distante,
incapaz que és, de vê-lo no mundo diante de ti.
Nada és além de um suspiro,
que busca, no espaço, uma estrela,
nada tens aqui, estes mundos não são teus,
Homem, tens apenas a ti mesmo,
nada és então, senão uma esperança de Deus.
[Andrea de Godoy Neto]
um sopro solto no ar,
o vento por entre as nuvens,
a brisa que vem do mar.
Hoje, és nada além de um ponto,
um conto por entre os mundos,
um grito perdido nos céus.
Nada vês que não seja tu mesmo,
nada sabes que não seja de ti,
procuras Deus num trono distante,
incapaz que és, de vê-lo no mundo diante de ti.
Nada és além de um suspiro,
que busca, no espaço, uma estrela,
nada tens aqui, estes mundos não são teus,
Homem, tens apenas a ti mesmo,
nada és então, senão uma esperança de Deus.
[Andrea de Godoy Neto]
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Nosso Amor é Assim
Então, ficamos assim,
Você não me diz que não, eu não te digo que sim
Ficamos assim, então
Amamos entre o não e o sim
Nos amamos assim,
Você não afirma e eu não desminto
Nosso amor sem fim
Nos amamos assim, rumo ao infinito!
[Andrea de Godoy Neto]
Você não me diz que não, eu não te digo que sim
Ficamos assim, então
Amamos entre o não e o sim
Nos amamos assim,
Você não afirma e eu não desminto
Nosso amor sem fim
Nos amamos assim, rumo ao infinito!
[Andrea de Godoy Neto]
sábado, 12 de dezembro de 2009
Sobre o dom de encantar
Há algum tempo tenho percebido que algumas pessoas são assim, têm o dom de encantar!
É um dom natural, pouco elas percebem sobre isso. São pessoas que, naturalmente, reúnem ao seu redor outras pessoas, que gostam de ouvi-las, de falar com elas, de observá-las. É uma aura de magnetismo que atrai os outros, sejam eles homens, mulheres ou crianças, não importa o gênero ou a idade. Estar perto destas pessoas é sempre um prazer, suas opiniões sempre nos fazem pensar e, não importa se concordamos ou não, sempre gostamos de ouvir. A estas pessoas, com este dom, eu chamo de “encantadores de pessoas”. Os encantadores são de um tipo sedutor, mas sedutor no bom sentindo, não fazem força para isso, não tentam conquistar o outro. Muito pelo contrário, às vezes, por serem deste jeito, sofrem com a pressão das pessoas, com o jeito como se aproximam e tentam ter sua atenção, seu olhar. Por conta disto, se preocupam quando percebem que alguém se aproxima demais, temendo que confundam as coisas, mas não são muito hábeis para impedir a aproximação. É porque o encantador de pessoas não encanta para fazer bonito, não usa máscara fazendo parecer que é um ser perfeito, pelo contrário, faz questão de ressaltar seus defeitos, quem sabe assim os outros vejam, entendam e o queiram menos, mas não adianta. As pessoas veem os defeitos escancarados, mas eles são menores perto das qualidades, porque é assim o encantador de pessoas. Feito o flautista mágico, ele seduz com sua fala e seu jeito. E tem, não raro, uma legião de pessoas prontas a segui-lo. E nunca a opinião sobre um encantador de pessoas será morna, mais ou menos, em cima do muro, quem dele gosta, adora. Quem não gosta, detesta. Não há meio termo possível para um encantador, ou você o adora, ou tem aversão a ele.
Não é fácil conviver com um encantador de pessoas, não tão de perto. Difícil de conviver com alguém que tem o dom natural de seduzir os outros. Porém, de uma coisa eu tenho certeza, mais difícil ainda é ser um encantador, porque por mais paradoxal que possa parecer, é tantas vezes solitário. E há quem me pergunte: como pode ser solitário alguém que, se quiser, vive cercado de pessoas? Pois eu respondo, estar cercado de pessoas, não é estar acompanhado por elas. O encantador de pessoas pode estar cercado por uma multidão, mas difícil é quem, dele, saiba mesmo se aproximar, adentrar suas portas, infiltrar-se por detrás da casca que usa como proteção. Difícil é quem saiba tocar-lhe o coração, olhar sua face e enxergar-lhe a alma nua. Difícil é quem queira habitá-lo sem lhe mudar a natureza, a estrutura, quem o aceite incondicionalmente do jeito que é. Porque, acima de tudo, o encantador de pessoas tem alma livre, é um ser alado que, para manter sua identidade, saúde, sanidade, precisa de voos altos de tempos em tempos. E há que se ter olhos capazes de enxergá-los, porque às vezes, de tanto conviver com quem não lhe entende, o encantador tem, por fora, uma camada protetora cristalizada, quase uma rocha, que o impede de alçar voo, o impede de ser exatamente quem é. Podemos facilmente ferir um encantador, sem sequer nos darmos conta disso. Mas, um encantador ferido, não cicatriza fácil. E ter lhe causado um ferimento, nos faz sentir a pior das pessoas. Então, a quem convive com um encantador de pessoas, atenção! Porque há neles uma delicadeza na alma, uma sensibilidade que nem sempre se enxerga, mas que merece cuidado.
Eu tive a sorte da vida me presentear com alguns encantadores pelo caminho. Poucos, é verdade, mas porque não são seres tão comuns assim. Não se acha um em cada esquina. Talvez porque eu os enxergue e, enxergando-os, os reconheça e reconhecendo-os, saiba estar entre eles. E assim, descobri que os encantadores são meu tipo preferido de pessoa, apesar de, às vezes, rasgar a pele me aproximando de um.
[Andrea de Godoy Neto]
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
E deu na TV
E deu na TV, cavalaria contra estudantes....bombas de gás, balas de borracha, cacetetes...estudantes no chão, pisoteados, espancados....foi o que deu na TV. Protesto contra a imoralidade de um governo, estudantes armados com faixas e cartazes....Deu na TV, mas não era filmagem revivendo os tempos de ditadura...foi hoje mesmo, 09 de dezembro de 2009, século XXI, num país democrático, com um governo popular...deu na TV e foi, inclusive, na sede do governo, na capital do país....helicóptero com homem armado observando jovens estudantes....grande perigo eles ofereciam, gritavam por moralidade, num meio onde a corrupção é palavra de ordem....afinal, o que fez estes estudantes pensarem que podiam ir as ruas para defender nosso direito a um governo digno? O que os faz ainda acreditar? Não sei. Não sei nem porque eu mesma ainda acredito. Mas, tem uma coisa que eu quero saber, na capital do país sede do governo federal, não havia nada que o governo popular pudesse fazer para intervir? Se não pode defender estudantes contra os desmandos de um corrupto insano, bem debaixo do seu nariz, vai defender como o restante do povo?
[Andrea de Godoy Neto]
[Andrea de Godoy Neto]
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Sobre a persistência
Abro os olhos, o azul do céu me convida a um voo mais alto...
Fico na ponta dos pés, minhas asas se agitam,
mas eu ainda resisto.
Te sobrevoo e a ponta da minha asa ainda toca a tua.
Ainda persisto!
Insisto acreditando que te posso despertar...
[Andrea de Godoy Neto]
Fico na ponta dos pés, minhas asas se agitam,
mas eu ainda resisto.
Te sobrevoo e a ponta da minha asa ainda toca a tua.
Ainda persisto!
Insisto acreditando que te posso despertar...
[Andrea de Godoy Neto]
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
A mesa na calçada
Toda vez em que estou a caminho da casa da minha irmã, uma peculiaridade da paisagem urbana me prende a atenção. Não é uma grande obra arquitetônica, nem uma dessas esquisitices que contaminam as construções modernas e que já nos acostumamos a encontrar por aí. É uma casa. Somente uma casa, simples e modesta. A casa da mesa na calçada. Confesso que, a primeira vez em que a percebi, tive apenas a sensação de que algo parecia deslocado na seqüência de casas coladinhas, umas nas outras, em uma rua movimentada num bairro afastado do centro. Passei de ônibus pelo local e, por alguns segundos, achei ter visto uma casa com uma mesinha arrumada na calçada e alguém sentado a ela. Coisa estranha! Numa cidade em que se tem dificuldade para encontrar até bares com mesas externas? Na verdade, não tive certeza do que vi. Olhei para todas as outras casas e nada parecido. Na segunda vez em que passei por lá, a percebi novamente. Uma casa modesta, em plano elevado, com alguns degraus que vão da calçada pública até a porta e, à direita, também em plano elevado, um pedacinho de pátio calçado, com uma árvore e a mesinha arrumada. Uma dessas mesas brancas, plásticas, com toalha e tudo. E um senhor, de boina, sentado junto a ela e bebendo alguma coisa que me foi impossível identificar à distância. Aquela cena despertou em mim um sentimento estranho, uma mistura de reconhecimento e saudosismo. Não sei explicar este sentimento; primeiro, porque nunca vivi num local onde existissem mesas nas calçadas, de onde as pessoas apreciassem a paisagem, a vida – então, como posso reconhecer o que não conheci? Segundo, porque se já houve um tempo em que isso acontecia por aqui, certamente não vivi nele - então, como posso ter saudades do que não vivi? No entanto, por mais estranho que isso possa parecer, aquele senhor de boina sentado à mesa, olhando a rua, me faz lembrar de casa. Mas de uma casa num lugar que eu ainda desconheço. O fato é que, toda vez em que passo por aquela rua já tenho uma sensação de prazer antecipado ao saber que, faça sol ou chuva, quando passar diante daquela casa, lá estará a mesinha na calçada, com toalha e tudo. Um convite a quem puder entender que o tempo, a vida, são para serem apreciados, não simplesmente gastos. Uma declaração silenciosa de que, para quem sabe olhar, há sempre coisas que valem à pena ver, contemplar, na vida, no dia a dia, no mundo. Mesmo que essa vida passe todos os dias pela mesma rua.
[Andrea de Godoy Neto]
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