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[Alguns trechos de mim...porque as palavras são espelhos...]

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Devoção

(imagem by Sarolta Bán*)


Poesia,
Vou marcar meu corpo com as tuas cores,
Com as tuas letras, as tuas dores,
E tudo o que se fizer em mim será verso,
Ainda que avesso, ainda que reverso.

Tudo será a pele tatuada e quente onde repousas.
Serei inteira ao teu dispor.
E serão teus os meus olhos, e as estrelas que eles guardam,
E será tua a minha mão, a tatear pássaros azuis pelo escuro do caminho,
E a minha boca só dirá palavra tua, sempre nua, sempre em cio.

Ah, Poesia!
E meu corpo, diante de ti, haverá de ser um manto,
Que vestirá tuas vontades, tuas demências, tuas urgências.

Não hei de arder pelo que é brando,
Só por ti consumirei a minha carne, a minha alma,
Até que tudo seja cinza pela tua chama,
Até que tudo em mim seja parido em teu nome.

E eu não serei voz, nem silêncio,
De ti, serei apenas verbo, verso nascido do teu ventre,
Poesia.



[Andrea de Godoy Neto]



(*Sarolta Bán é uma fotógrafa húngara que tem trabalhos belíssimos. para conferir mais: http://www.saroltaban.com/)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

E se o mundo existir... e se não?


(Artista: Amanda Cass - Escaping the rat race)


e se o mundo for tão grande que eu não possa percorrê-lo
ou tão pequeno que eu não possa enxergá-lo
como vou saber que ele existe?
como saber que tudo à minha volta não é projeção de um sonho?
e se o mundo for tão sutil que não possa ser tocado
e se for tão irreal quanto um pesadelo
como vou saber que vivo?
e se o que eu creio pensamentos, forem apenas sopro da mente de algum deus
anjo ou demônio enfadado, enjoado da mesmice de seus céus e infernos perfeitos?
e se tudo o que eu vejo for apenas um desenho de aquarela
e se as tintas se borrarem no horizonte, haverá temporais?
e se as águas que nos inundam forem mero diluente
e se os mares, e seus azuis salgados, forem lágrimas sobre o papel?
e se as cores diluídas não servirem mais
existirão ainda páginas em branco para recomeçar os dias?



[Andrea de Godoy Neto]






(mais sobre o belíssimo trabalho da artista Amanda Cass pode ser encontrado no site:  http://www.redbubble.com/people/theartoflove .  Thank you, Amanda!!)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Outra estação


(Pintura de Rafal Olbinski)


dispo-me diante de ti
da roupagem de uma longa espera
acolho-te em cada recanto que me é sagrado
faço-me tua, nua, fêmea, frágil, leoa, esfinge, mulher
e quando entras em mim
:incandescentes abismos
invades minha alma em desatino
e realinhamos o traçado das distâncias
eu te permito e me entrego, me arrisco
arisca, pelo tempo de uma estação





[Andrea de Godoy Neto]


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Silêncios


(Margarida Cepêda - Acima do Mar de Nuvens)


nem tudo o que enxerguei era horizonte
nem tudo onde pisei era chão
andei em nuvens e sobre espinhos, sem saber
singrei azuis que não eram mar
sangrei tristezas que não eram minhas

ouvi vozes espalhadas pela terra
e não soube dizer de onde vinham
não sei se eram gentes a me pedirem socorro
ou se eram mortos a me ensinarem o caminho
não vi os trilhos, mas ao longe ouvi o trem, ainda que fantasma

nem tudo em que acreditei eram verdades
ou mentiras, muitas coisas eram ambas
nenhuma delas me satisfez
andei desfazendo-me das crenças
e, assim, segui sendo ninguém

falei muitas coisas sem sentido
por vezes, calei gritos necessários
soube que atitudes valem mais do que palavras
e, no distúrbio dos zumbidos do mundo
aprendi a respirar silêncios

hoje, enxergo o nada 
e respiro o mundo


calada.



[Andrea de Godoy Neto]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Desapego


(sunrise by Steven Kenny)

Quero um verso que me desapegue,
ou mesmo um silêncio qualquer,
aprendi a andar de mãos vazias e sem bolsos
e ainda que a poesia me seja pão,
eu quero o desapego.               
Que fiquem os encontros
traçados no chão, ou nas estrelas,
já não quero memórias,
não carrego comigo
o livro das velhas histórias
que permanecem ou que se vão.
Eu quero o desapego.
Desvisto as roupas,
a pele, as lembranças...
deixo que tudo siga
o caminho do que foi,
a ele eu já não pertenço,
não há mão capaz de me prender
além da minha, esticada e segura,
àquilo que insisto em  manter.
Mas eu quero o desapego!
E meus dedos se abrem,
deixando escorrer entre eles,
aos poucos, até quem eu já fui,
sangro, mas abro a mão, me esvaio...
O que eu quero é o desapego.



[Andrea de Godoy Neto]

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dos pés que não conhecem o chão...


(Duy Huynh - Cumulus Curiosity)




e se eu não conhecer pés no chão,
e só souber de pernas pro ar,
pés descalços nas nuvens
fazendo cócegas

e se eu souber voar até de ponta-cabeça,
e pouco me importar com a aerodinâmica,
e se minhas asas sustentarem tudo
[a mim, a ti, ao mundo...]

e se elas não sustentarem nada,
nem a uma tentativa de fuga,
ainda assim você me acolhe?

recolhe em teus braços os
meus olhos de eternidade?




[Andrea de Godoy Neto]

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Quando você deixar de ser importante para mim...

(by MultiCurious)


Quando você deixar de ser importante para mim
Não quero mais destrancar a porta
Não quero desvestir a pele, nem sorrir com a alma nos olhos
Nem me deitar sobre uma confiança torta

Quando você deixar de ser importante para mim

Vou ter uma vida mais amena, vou deixar de olhar para os lados
Não vou mais dar importância aos fios que se tecem
Que entrelaçam seda branca e puro linho
Numa trama onde passeiam nossos pés

Quando você deixar de ser importante para mim

Vou olhar em frente e seguir, e seguir, e seguir
Sem que nada mais me prenda ou me preencha
Não vou ter rumo ou ponto de chegada
Vou seguir as nuvens, ou as estrelas, tanto faz
Quem sabe siga a sombra do pássaro
Rumando para o norte, ou para qualquer sorte
Não me importo, todo o resto será desimportante

Quando você deixar de ser importante para mim...



[Andrea de Godoy Neto]



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Do que posso dizer-te...


(Steven Kenny - The Departure)



Queria dizer-te de mim algo além
do que o teu olhar alcança,
queria que me soubesses, ainda 
que eu não te pertença,
e que me adivinhasses, tatuada,
em algum espaço do tecido que te reveste.
Queria poder dizer-te das sensações 
pelas quais tu me chegas,
e até das vezes em que me dóis, amado,
sim, porque tu me dóis.
Queria que pudesses me guardar,
deste jeito que não és capaz de entender,
e dizer-te que tudo permanece
inalterado, ainda que não percebas,
que tudo está certo, e que teu caminho
é seguro, que temos tempo.
Mas nada disso mais te posso assegurar,
pois, de tudo, só posso 
dizer-te que sou breve...





[Andrea de Godoy Neto]


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A árvore do meu (re)pouso


(Duy Huynh - Place Of Steadiness)


[àquele que se faz imensa árvore onde posso pousar,
em meio à tormenta ou à minha tristeza,
e para quem sou âncora 
que não lhe impede de navegar...]


porque eu estava morrendo, amado,
e te estendi a minha mão,
e tu me disseste que estavas comigo
bem ali, segura dentro de ti,
e eu, então, te soube raiz, caule, 
folhas, flor, fruto, no meu peito,
te soube imenso, teto, braço, ombro,
homem, abrigo, centelha, amigo, amor
que se fez em mim, eternamente

e tu sustentaste o meu pouso
e o cansaço das minhas asas,
e na firmeza do teu corpo, amado,
descobri abrigo e redenção,
renasci outro pássaro, e o que era pranto
em teu abraço se fez voz e verso,
e canto agora para ti, amado,
e meu canto, tu entenderás,
é de amor e permanência



[Andrea de Godoy Neto]

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Despedida a um dezembro em cinza(s)


(Duy Huynh - The Flower Bed & The Pillow Book)


Finda dezembro, jogo uma flor a terra
Morre o ano, enterra-se com ele um amor que não morre
Passa o tempo sobre os solos sa(n)grados
O vento cantou nos abismos, mas os tolos ouvidos não creram
Todos os pés pisaram todas as terras e, ainda assim,
Ninguém chegou à terra prometida, ninguém conheceu o lar
Porque sobre a areia todos os passos se apagam
E, sobre as águas, não há bússola que ensine o norte quando se navega em círculos

Finda dezembro e, com ele, finda uma parte de mim
Não vou chorar por ela, nem escrever um epitáfio
Todas as palavras já foram ditas, embora nem todas tenham sido ouvidas
Há palavras que escorreram pela parede de vidro e jazem inertes no chão
Há verdades que nem todas as bocas unidas podem dizer
E outras que nem todos os silêncios do mundo podem compor, e ainda assim elas existem
E resistem às ingênuas cortinas, véus que nada escondem, soprados por um vento forte
Um a um rasgados sobre o manto de espinhos que cresce onde havia flores

Finda dezembro, extraio do peito a última dor
Todo o vazio que restou é o imenso espaço onde me posso habitar
Encho um cálice com a tristeza que ainda restava, não beberei!
Lanço-o às pedras para que se estilhace, que o sol evapore as lágrimas até restar apenas sal
Que os cacos de vidro sejam pequenas estrelas cravadas na terra e reluzam como eu não pude
Finda dezembro e, com ele, finda aquela que um dia eu fui.
Mais adiante renascerei. E nada será como antes.





[Andrea de Godoy Neto]

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

(des)caminhos


(girl of the ocean - by foureyes)


Não sou aquela mulher por quem choras

Nem aquela perdida no tempo a quem imploras regresso

Já não sou a fada dos sonhos que um dia tiveste

Nem a fêmea com quem cumpriste o cio, feliz ou triste

Já não sou a outra que se desfez em cristais de sal

Nem, tampouco, a puta que fez do teu corpo leito e deleite

Não, já não sou senhora dos teus olhos tristes

Nem tu és porto onde eu possa chegar

Mas, ainda assim, o traçado do tempo costura nossas distâncias

E, vez que outra, cruza nossos (des)caminhos

Somos, então, rio e mar e, por um instante, foz.


[Andrea de Godoy Neto]

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Circunscrição


(Steven Kenny : The Circle)


Há um pequeno espaço onde tu não me podes chegar,
Há um pequeno espaço, ínfimo círculo que me resta, onde resto ainda sem ti.
Há um pequeno traço que separa o pouco de mim que ainda tenho nas mãos
De todo o resto que já foi devastado, tudo o mais é solo inundado.
Há um pequeno círculo traçado no chão, desenhado na areia com a ponta dos dedos,
Sei que ele é vão, ilusória proteção. Mas há outro círculo, ainda menor,
Riscado debaixo da pele, tracei-o com a lâmina com que me sangraste.
Dentro dele eu busco proteção, me encolho, dobro a alma, me faço pequena,
Bicho ferido, arisco, não me arrisco do lado de fora. Só quando o corte cicatrizar.
Só quando o corte cicatrizar deixarão de haver círculos que me protejam
Ou que nos unam.


[Andrea de Godoy Neto]

domingo, 4 de dezembro de 2011

Acalanto para Roberto*



(Duy Huynh: A Song After The Rain Has Gone)


(para Roberto Lima)

[mas nada é tão doce quanto o rio que te percorre e por onde escorre
a tua saudade, sobre vales e montes
e Minas sem fim...]

Poesia, amigo
são teus olhos, passarinho
distante do ninho, vastidão
colo, solidão, algum cobertor

estendo a mão e todo
o azul que teces me enternece
e faz do mundo, latifúndio
pomar de afetos tão perto do meu chão

olho-te de perto e o anti-homem vira Quixote, Ulisses,
ora gigante, ora menino adoçado na beira do rio, sempre poeta
e acho tão bonito o tempo que te fez assim,
cada pedra, palavra, sorriso, poeira, música, lágrima, abraço, saudade

e tudo é verso na tua voz que se espalha, embala
e reverbera (mansa) no espaço onde me habitas
e eu te escuto, te pressinto, ainda que tudo se cale
e te reconheço, eterno, nas voltas contidas no tempo, amigo.






*Este poema foi escrito para o 

Sarau Roberto Lima 

(Imagem by Tuca Zamagna)
em comemoração ao aniversário do querido jornalista, escritor e poeta Roberto Lima, no dia 04/12, muita gente boa se reuniu para deixar seu recado, clique aqui para conferir.

[com: Tuca Zamagna, Marcantonio, Pedro Ramúcio, Juliana Vinagre, Tânia Contreiras, Mirze, Paulinho Pedra Azul, Daniela Delias, Wilson Nanini, Assis Freitas, Wilson Pereira, Líria Porto, Nina Rizzi, Dade Amorin, Marcelo Sguassabia, Jorge Pimenta, Laura Alberto, Fernando Campanella, Marcos Pizano, Kledir Ramil, Lelena Terra (Bípede falante)]




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dezembro

(Duy Huynh - GardenKeeper)

[porque dezembro sempre traz mais azul 
ao céu do sul...]


é dezembro
e todo o calendário desfolhou-se
em dias de ausências
ou de presença em lonjuras

é dezembro
e, mês a mês, este ano fez-se
de esperas partidas
e chegadas inesperadas

mas é dezembro
e em toda parte o mundo se faz festivo
e eu me alegro, é dezembro
e em dezembro, tu vieste!




[Andrea de Godoy Neto]


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Das águas que inundam [ao sul...


(bugudoniya - by shapovalov)



Não sou eu quem desespera,
É teu corpo que acende sob a lua branca,
Feito lobo a uivar sob o céu do norte,
Feito fogo, derretendo cumes de montanhas frias

Não sou eu quem desespera,
É teu corpo que se liquefaz em imenso azul,
Feito degelo que, aos poucos, engrossa mansos córregos,
Feito caudaloso rio que sempre corre para o sul

Não, não sou eu quem desespera,
Mas quando desesperas eu aprecio e te espero,
Corpo aceso, na ânsia de toda a água límpida
Que trazes em ti quando me inundas




[Andrea de Godoy Neto]





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sábado, 19 de novembro de 2011

Desatino ou voo breve [tanto faz...


(raven -  by shapovalov)


roubei as asas de um anjo
mas elas eram tortas
nem todas as penitências do mundo me absolverão
só percebi à beira do precipício que não poderia voar
saltei mesmo assim...
era a última hora daquele último dia
meus pés já não suportavam o chão
por um instante fui feliz, enquanto caía
por um instante pensei que voava
mas as asas eram tortas e eu não sabia
quando eu nascer de novo, quero ser águia
não me importa ser gente, prefiro ter asas
e como sei que anjo eu não posso ser, vou nascer pássaro
e renascer, toda vez, em um novo ninho
pássaro não há de ter memória
e eu hei de ter vidas breves.



[Andrea de Godoy Neto]
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

As pontes para o sempre

(Duy Huynh: The Converge On The Branch Of Second Chances)

[* que nem todas as certezas do mundo sejam capazes de nos cegar
para aquilo que a vida tem para nos trazer
ou para levar....




Que me importam as certezas do mundo?
Nunca mais quero ter certezas, nunca mais
Essas falsas verdades de velas acesas quando tudo é escuridão
Tive certeza de ti e nunca mais quero ter certezas na vida
Nem quero a certeza de que o dia nascerá, nem de que o novo virá
Nem quero a certeza dos amanhãs
Nunca mais quero ter certezas na vida, nunca mais

Que tudo que eu tenha seja incerto, contanto que verdadeiro
Que eu só saiba deste instante que eu vivo
Este que eu toco e sinto e por agora me é certo
No depois não há certezas, não há eternidade
O para sempre habita uma efemeridade
Todo o resto é feito só de incertezas
Como incertos são nossos caminhos
Como incertos somos nós




[Andrea de Godoy Neto]

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sábado, 12 de novembro de 2011

Dos olhares vãos sobre os vãos

(Duy Huynh - Her Own Little World)


[* às vezes, a percepção é um vão pelo qual        
   o mundo se mostra...


Caminho por imensos espaços
mas não acho
a saída do tempo,
a entrada do templo,
a resposta dos deuses

sou poeta,
viva angústia encarcerada,
percorro escuros vazios
com pés de estradas
e olhos de girassóis
[sem sol
                 e sós]




[* e o que eu vejo pelos avessos fere mais minhas retinas
                                    do que qualquer claridade seria capaz de fazer



[Andrea de Godoy Neto]

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Poema do mundo que cabe entre as mãos

(Margarida Cepêda: O que fazes tu com a tua vida? - Acolho-a)



Teço um poema a vozes pequenas

Não porque ele seja miúdo

Mas porque o vasto mundo que lhe cabe

Guardo, entre as mãos, no meu colo

Ou em todo o espaço que invento

Sob espanto, no meu lado de dentro




[Andrea de Godoy Neto]
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sábado, 5 de novembro de 2011

Dialeto íntimo para infinita ternura e orgasmos

(Ivan Koulakov - Let's compose a puzzle)



do traçado quente 
que teus segredos inventam
sobre a minha pele branca
verto poemas e gozos
vozes vorazes
que ecoam em túneis
que se liquefazem 
diante de ti

[aprendiz que sou
das vertigens do mundo...]



[Andrea de Godoy Neto]
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